quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Claudia Regina: a candidata que não pode ser

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Inelegível até outubro de 2020, o destino de Claudia Regina ficou obscuro e incerto por um longo período pós-cassação.

Claudia Regina após votar em 2012 (Foto: G1)
Nas eleições de 2014, o que ainda era dúvida se consumou no rompimento com Rosalba Ciarlini, que se tornou público após Claudia demonstrar fidelidade ao líder José Agripino e votar contra a candidatura à reeleição da ex-governadora - e ex-aliada - em convenção do partido Democratas - onde mantinham estada à época. Fato que só deixou claras as feridas que as relações de 2012 em diante tinham deixado.

Quatro anos depois da histórica eleição de 2012 e três anos depois da histórica cassação em 2013, Claudia Regina sai da sombra e reaparece em 2016, parecendo disposta a ser senhora do seu destino.

Mesmo mergulhada, durante todo o período de pré-campanha, resistiu a propostas de outros grupos e manteve clara a preferência por apoiar a candidatura de Tião Couto a prefeito de Mossoró.

Iniciada a campanha eleitoral, Claudia Regina tem atuado como um terceiro elemento à chapa, como se existisse um outro cargo além de candidato e vice. Incansável, tem demonstrado garra como se fosse a candidata que não pode ser, trabalhando com afinco pelo projeto.

Como não pode se candidatar, Claudia Regina consegue, nessa união, juntar o útil ao agradável: se mantém ao lado do que parece ser um nome confiável a si - evitando repetir erros do passado - e permanece em evidência.

Mais que o apadrinhamento a Tião, em cada passeio por uma comunidade de Mossoró, ela quer ter a chance de mostrar, a si mesma, e aos seus algozes, que ainda está viva politicamente, e que pode ter garras para se manter até os próximos anos - até a liberação pela Justiça.

Para a chapa Tião Couto/Jorge do Rosário, a parceria é também um toma lá, dá cá: eles obtém em Claudia o capital eleitoral que não têm, além de serem "levados" pela figura política que Claudia é - e que eles não são.

Na terceira semana de campanha, já são constantes os relatos de que o comportamento de Claudia ultrapassa o dos dois candidatos da chapa em se tratando de empatia com o povão: ouve-se falar que enquanto os empresários seguem caminho, a ex-prefeita faz paradas e cumprimenta a todos um por um.

Devagar e sempre, o projeto, mais que a eleição de 2016, parece ser mesmo a eleição pós 2020.
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*Claudia Regina está inelegível até outubro de 2020, mas poderá concorrer às eleições somente de 2022, já que a inelegibilidade conta da data da eleição, ou seja, outubro. Quando do registro de candidatura em 2020, ela ainda estará inelegível.