quarta-feira, 2 de agosto de 2017

O teatrinho da esquerda

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Por Bruno Barreto

A esquerda brasileira conseguiu uma proeza: apóia o #ForaTemer, mas não tem interesse que o presidente caia.

Confuso? Não. É a política, seu trouxa!

A esquerda faz um teatrinho para manter a sua base unida, mas é só para militante ver, porque rua que é bom ficou no passado recente.

Sério, você ainda não entendeu? Qual a mobilização realizada pela esquerda nos últimos dias pedindo o #ForaTemer? Nenhuma. Não há, nem vai ter.

A esquerda vai adotar a estratégia tucana nos tempos do mensalão: deixar o presidente sangrar. Há uma década não deu certo, afinal de contas a economia ia bem e Lula é carismático. E quando está tudo bem com o bolso, o brasileiro manda a ética às favas.

Mas Temer é o presidente mais impopular da história brasileira e não tem carisma pessoal e nem liga para isso, diga-se. Talvez dê certo, se a justiça deixar e Lula conseguir voltar ao Planalto nos braços do povo.

A estratégia tem tudo para dar errado como na década passada, mas por motivos diferentes. Curiosamente, tudo passa por Lula mais uma vez.

Se a esquerda dá a Rodrigo Maia a chance de ser presidente, corre o risco de ver um jovem ambicioso chegar ao poder forte e sem os mesmos problemas de Temer. Certamente daria mais trabalho que um presidente conformado com o desprezo popular.
Isso é política, seu trouxa!

É pragmatismo puro. O governador petista da Bahia Ruy Costa liberou dois de seus secretários para voltar a Câmara dos Deputados apenas para se absterem. Abstenção é uma forma covarde de ajudar Temer. Tudo para que o prefeito de Salvador, ACM Neto, não se fortaleça para 2018.

A Realpolitik (termo alemão que significa política real) vai muito além do debate infantil na Internet. É muito mais dura que as arengas nossas de cada dia no Facebook.

O cenário de hoje é muito semelhante ao das "Diretas Já" em 1984. É uma versão sem povo na rua de um desejo popular. A maioria do povo quer Temer fora como queria votar para presidente há 33 anos.

As Diretas Já foi um teatrinho. A oposição consentida do PMDB lutava pelo voto direto para presidente apenas para militante ver. Nos bastidores, estava tudo combinado com os setores insatisfeitos do PDS (partido da ditadura militar que se dividiu nos atuais PP e DEM) para não ter eleição popular e levar Tancredo Neves ao poder pela via indireta numa transição democrática pacifica.

Assim surgiu a Frente Liberal no PDS, que depois virou PFL, que indicou José Sarney vice de Tancredo. O resto da história todos nós conhecemos.

Tudo foi um grande acordo nacional, como disse há um ano o impune senador Romero Jucá.

Na hora certa Temer será escanteado pelos seus amigos de hoje. Isso trará muitos riscos (é assunto para outro texto) ao país.

É a política, seu trouxa!