Antes mesmo da conquista nacional, o Rio Grande do Norte já fazia história
| Alzira Soriano, a primeira prefeita do Brasil (Foto: arquivo Senado Federal) |
O 24 de fevereiro marca uma virada decisiva na história do Brasil. Foi nessa data, em 1932, que o voto feminino passou a ser reconhecido em todo o país, abrindo espaço para que mulheres participassem formalmente da vida política.
Mas antes mesmo da conquista nacional, o Rio Grande do Norte já fazia história, graças à coragem de mulheres que desafiaram padrões e anteciparam mudanças que o Brasil inteiro só adotaria anos depois.
No início do século XX, votar era um privilégio masculino. Ainda assim, mulheres brasileiras começaram a se organizar, escrever, pressionar e ocupar espaços públicos.
No plano nacional, uma das vozes mais influentes foi Bertha Lutz, que liderou articulações políticas e ajudou a consolidar o movimento sufragista no país nas décadas de 1920 e 1930.
Enquanto o debate ainda engatinhava no restante do Brasil, em 25 de outubro de 1927, uma lei estadual do RN eliminou a distinção de gênero para o exercício do voto. O resultado foi imediato e histórico.
Em 5 de abril de 1928, Celina Guimarães Viana, professora de Mossoró, tornou-se a primeira mulher a votar legalmente no Brasil. Um gesto simples, mas revolucionário, que mostrou que a democracia podia, e devia, incluir as mulheres.
Na mesma esteira, outras potiguares também abriram caminhos. Júlia Alves Barbosa esteve entre as primeiras mulheres a se alistar como eleitora no estado, reforçando que a participação feminina não era exceção, mas movimento.
Pouco depois, em 1928, o RN voltou a surpreender o país com a eleição de Alzira Soriano, em Lajes.
Ela se tornou a primeira mulher prefeita eleita no Brasil, quando a presença feminina na política ainda era vista com desconfiança em quase todo o país.
O exemplo potiguar ajudou a acelerar o debate. Em 24 de fevereiro de 1932, o novo Código Eleitoral finalmente garantiu às mulheres brasileiras alfabetizadas o direito de votar e de serem votadas.
A democracia brasileira dava um passo à frente, ainda que o caminho pela igualdade plena estivesse apenas começando.
Celebrar o Dia da Conquista do Voto Feminino é lembrar que direitos não surgem por acaso, mesmo que ainda haja um longo caminho para percorrer na conquista de espaços igualitários.
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