Após votação histórica, Cabo Deyvison pode deixar Câmara de Mossoró depois de não conseguir mandato de deputado federal
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| Foto: divulgação |
Após as eleições, o vereador Cabo Deyvison vive o desfecho de uma trajetória política que, em menos de dois anos, passou da eleição para a Câmara Municipal de Mossoró à quase eleição à deputado federal, seguindo para perda de mandato no legislativo municipal.
Eleito vereador em 2024 pelo MDB, com 1.766 votos, Deyvison se projetou no Legislativo mossoroense como um dos principais nomes de oposição ao então prefeito Allyson Bezerra. O ex-prefeito encontrou nele um opositor que até então não havia conseguido ganhar destaque diante da popularidade de Allyson.
A atuação de enfrentamento ao grupo que comandava a Prefeitura ajudou a transformar o vereador em uma das vozes mais conhecidas da oposição em Mossoró. Deyvison adotou uma postura de fiscalização permanente da gestão, com críticas públicas, denúncias e embates políticos com o grupo de Allyson justamente na mesma plataforma onde o ex-gestor conseguiu ascender, as redes sociais..
Foi nesse ambiente de oposição que o vereador construiu parte de sua projeção política e, posteriormente, passou a mirar um espaço maior. Em abril deste ano, deixou o MDB, filiou-se ao PL e entrou na disputa por uma vaga de deputado federal.
A mudança de partido, porém, abriu uma batalha judicial que pode resultar também na perda do mandato que ainda ocupa no Legislativo mossoroense.
Na eleição deste domingo (4), Deyvison chegou a registrar uma votação expressiva. Foram 100.795 votos para deputado federal no Rio Grande do Norte, o equivalente a 5,12% dos votos válidos. O desempenho, no entanto, não foi suficiente para garantir uma das oito vagas do Estado na Câmara. Ele terminou como o nono candidato mais votado e ficou na primeira suplência do PL.
O resultado tem uma particularidade importante. Deyvison foi extremamente forte em seu principal reduto. Somente em Mossoró, recebeu 54.707 votos, o equivalente a 38,18% dos votos válidos para deputado federal no município.
E, agora, o futuro político de Deyvison também depende de uma decisão judicial sobre o mandato que conquistou em 2024.
Entenda
Troca do MDB pelo PL colocou mandato em risco
Deyvison deixou o MDB em abril e ingressou no PL. O partido pelo qual havia sido eleito acionou a Justiça Eleitoral para pedir a perda do mandato por infidelidade partidária.
A alegação do MDB é de que o vereador deixou a legenda sem autorização e sem que estivesse configurada uma das hipóteses legais que permitem a desfiliação sem perda do mandato.
Deyvison apresentou outra versão. O vereador sustenta que tentou uma saída consensual do MDB, mas não recebeu a carta de anuência. A justificativa apresentada por ele está relacionada à mudança do posicionamento político do partido em Mossoró, que passou a apoiar o grupo de Allyson Bezerra.
A tese, porém, não foi acolhida pelo TRE-RN em processo anterior no qual o vereador buscava o reconhecimento de justa causa para deixar o MDB. A Corte entendeu que a mudança de alianças políticas do partido não representava, por si só, alteração substancial do programa partidário capaz de justificar a desfiliação sem perda do mandato.
Três votos pela cassação
O julgamento da ação de perda de mandato começou no TRE-RN em 22 de setembro. O relator, Eduardo Pinheiro, votou pela procedência do pedido do MDB. Acompanharam o entendimento a desembargadora Sulamita Pacheco e o desembargador Marcello Rocha.
O julgamento foi interrompido por um pedido de vista do desembargador Paulo Pinheiro.
Caso a maioria seja formada pela cassação, Deyvison perderá a cadeira na Câmara Municipal de Mossoró, com a convocação do suplente do MDB, conforme o pedido apresentado na ação.
É importante registrar que os três votos já apresentados pela cassação ainda não representam, por si só, uma decisão definitiva. O processo aguarda a retomada do julgamento.

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