Quanto da independência Allyson está disposto a preservar para não perder votos de um lado e quanto dela está disposto a flexibilizar para conquistar votos do outro
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| Foto: arquivo |
A neutralidade de Allyson Bezerra (União) foi um dos elementos que permitiram o candidato chegar ao segundo turno. Assim como toda a sua carreira política, durante a campanha, ele evitou se colocar formalmente no campo de Lula ou de Bolsonaro. A estratégia ampliou seu alcance e permitiu que ele avançasse sobre eleitores dos dois lados políticos.
As pesquisas mostraram isso. Uma parcela expressiva dos eleitores de Lula declarou voto em Allyson no primeiro turno, mesmo com Cadu de Lula concorrendo pelo PT.
Ao mesmo tempo, Allyson também capturou votos do eleitorado de direita que não necessariamente se identifica com o bolsonarismo.
É justamente aí que está o dilema do segundo turno.
Se Allyson se aproximar demais do bolsonarismo para consolidar o voto antipetista, pode colocar em risco parte do eleitorado que escolheu seu nome justamente pela distância da polarização nacional.
Se mantiver a independência, por outro lado, terá de disputar sozinho um eleitorado que tende a olhar com resistência para um candidato apoiado por Lula.
A neutralidade de Álvaro Dias (PL), amplamente divulgada nos bastidores, deixa aberta a disputa por seus eleitores e aumenta a importância das decisões que serão tomadas pelo PL.
E é nesse ponto que Rogério Marinho entra na equação.
Rogério e Allyson já foram aliados. Em 2022, o senador participou da articulação de recursos federais para Mossoró, incluindo R$ 40 milhões para o Complexo Viário 15 de Março, obra que se tornou uma das marcas da gestão de Allyson. Mas a relação se rompeu em 2024, quando o PL não conseguiu indicar o vice na chapa de reeleição do prefeito e lançou candidatura própria em Mossoró.
Agora, a eleição estadual coloca os dois novamente diante de uma possível conversa.
A questão é: Allyson terá interesse em procurar Rogério? E Rogério terá interesse em procurá-lo?
Para Rogério, a eleição presidencial também pesa. Ele é o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro e está envolvido diretamente na disputa nacional.
Por isso, o eventual apoio do PL não é uma questão simples de soma de votos. Envolve identidade política. Provavelmente, é nula a chance do PL apoiar o candidato do União sem a declaração de apoio a Flávio Bolsonaro (PL).
Allyson passou o primeiro turno dizendo que poderia ser uma alternativa à polarização. Agora, precisa decidir quanto dessa independência está disposto a preservar para não perder votos de um lado e quanto dela está disposto a flexibilizar para conquistar votos do outro.

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