quinta-feira, 6 de abril de 2017

Programa Ronda Cidadã não deve afastar criminalidade de Mossoró

Compartilhar
"Os resultados são satisfatórios, a sensação de segurança está voltando, as pessoas estão voltando a sentar nas calçadas". Quem garante é o comandante do programa Ronda Cidadã em Mossoró, Major Andrelino, em entrevista no último dia 03 no programa Cenário Político, da TV Cabo Mossoró (TCM).

A afirmativa teve protesto de telespectadores. Pudera, o major se referia especificamente a apenas quatro bairros da cidade - Santo Antônio, Paredões, Bom Jardim e Barrocas - onde o Ronda está funcionando, mas passou a impressão que o projeto resolveria o problema em toda a cidade. Não.

As demais áreas, cerca de 30 bairros que englobam quase 80% da população, continuam descobertas.

Essas partes descobertas podem sofrer, ainda, com a migração dos crimes que ocorre quando a ostensividade da polícia afugenta os bandidos. E essa conclusão não é um exercício de futurologia. Basta analisar o que aconteceu aqui mesmo em Mossoró com a implantação das BICs (Bases Integradas Cidadãs).

Os índices de criminalidade até diminuíam nas áreas onde esses equipamentos eram instalados. Mas na média, a cidade continuava com violência crescente. O que nos leva à conclusão que as atividades criminosas apenas mudavam de endereço.

É muita inocência acreditar que o Ronda Cidadã possa efetivamente reduzir os índices de criminalidade em toda a cidade, com duas viaturas, três motocicletas e nenhum - isso mesmo, nenhum - homem a mais. O efetivo da Polícia Militar, que já atua com déficit no estado e mais ainda na nossa região, teve 27 homens deslocados para o programa nos quatro bairros da cidade onde está destinado a atuar.

Hoje, Mossoró e outras 14 cidades da região, juntas, contam com 400 homens. Isso, já incluindo as ausências por licenças médicas, férias e policiais atuando como agentes penitenciários - incluindo CEDUC e CIAD. Em alguns dias, a escala contempla apenas 19 homens nas ruas de Mossoró. 

O ideal, segundo especialistas, seria o mínimo de 1000 homens.

Robinson Faria

Enquanto isso, o governador Robinson Faria repete que "a ordem é tolerância zero". Disse isso mais uma vez quando lançou o Ronda Cidadã em Mossoró, em sua segunda visita à cidade no ano de 2017, no mês passado.

Governador em lançamento do Ronda Cidadã em Mossoró
(Foto: O Mossoroense)

O gestor que, desde 2014, se intitula o governador da segurança deu mais um sinal de que tem muita coragem. Não necessariamente por trazer o programa para a segunda maior cidade do estado. Mas por prometer que a violência vai acabar em seu governo, em meio a uma crise que impede uma fundamental estruturação das forças de segurança para que se obtenha resultado.

A crise financeira e a Lei de Responsabilidade Fiscal dificulta o fator principal para atuar na repressão: a realização de concurso público para incremento do quadro de policiais no RN.

Fora isso, não existe, por parte do governo, nenhum anúncio de atuação integrada com outras pastas para melhoria da educação ou política contra o tráfico de drogas - principal atividade criminosa a ocupar a polícia.