A fraude não está nas eleições

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(Foto: Evaristo Sá/AFP)

Por Francisco Alfredo de Assis Neto*

O presidente Bolsonaro deu entrevista (30) dizendo que o voto impresso seria mais seguro. 

Não é segredo pra ninguém que, depois de aproximados 30 anos de vida pública, estranhamente a partir da eleição que o levou a presidência da maior nação sulamericana, ele passou a desconfiar do modo como as instituições e o próprio povo brasileiro conduzem suas eleições, conhecidas estas como modelo de celeridade e segurança. 

Logo depois, ao ser indagado sobre as eleições nos EUA - onde as cédulas são impressas e o voto preenchido à mão - ele falou que sabia ter havido muitas fraudes, mas que ainda está colhendo elementos (?) para mostrar posteriormente. 

Eu, cá de minhas bandas, não desconfio deste governante que não deixa dúvidas do que pretende no seu modo de agir. Porém, desconfio bastante do eleitor que o colocou no poder sob o pretexto de que tudo valeria para acabar com a corrupção.

Conhecido pela improdutividade e mediocridade durante toda sua vida pública, foi acusado de terrorismo pelos seus próprios pares enquanto era militar, de ter ligações com as milícias que dominam os morros cariocas, além de dar declarações estapafúrdias e agressivas como "querer matar a petralhada" ou "usei o dinheiro do auxílio moradia para comer gente", o líder máximo do país conhecido como País de Bananas comprova a alcunha desta nação que outrora quis ser grande e, atualmente, alimenta-se das bobagens nada engraçadas e perigosas de um ogro que ousou ser rei. 

Defender Deus, a família e os homens de bem, aparelhando o estado, tentando burlar as leis e favorecendo seus financiadores de campanha, é a marca de sua forma de governar, provando assim não ser diferente, em tais práticas, dos demais presidentes recentes do país.

O que o torna verdadeiramente diferente é a insistência que os seus eleitores têm em achá-lo que o é, mesmo ele mostrando que a diferença não está na honestidade ou competência, mas tão somente na vigarice e na sordidez. 

Votar a favor, votar contra, deixar em branco, anular ou nem ir votar não é o problema. O voto impresso, eletrônico ou manual em nada mudará isso. O grande problema é, depois de tudo, concordar e achar que o caminho de desequilíbrio funcional (os filhos acusados de crimes graves falam e criam confusões pelo governo), aliciamento das instituições (ministérios, órgãos fiscalizadores, PGR, PF, dentre outros), defesa de práticas antidemocráticas e discriminatórias (defender fechamento do STF, políticas favorecedoras de elites agrárias, segregação de minorias como índios, artistas, negros e mulheres) seriam coisas normais e necessárias nesse pífio e frágil cenário de desolação e polarização o qual vive o nosso país. 

Oxalá nós brasileiros tenhamos a percepção, a coragem e o discernimento que o povo americano do norte teve em suas últimas eleições e mudemos, mais uma vez, os rumos do nosso país, pois não temos mais tempo, dinheiro e nem paciência a perder com aventuras, confusões e incompetência. 

*Francisco Alfredo de Assis Neto é advogado, engenheiro eletricista, bancário da Caixa Econômica Federal, presidente do Sindicato dos Bancários de Mossoró e Região e diretor de Negociação Bancos Estaduais/ Regionais da CONTEC Brasil

**A opinião exposta neste artigo não representa necessariamente a posição do Blog Carol Ribeiro.
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