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sábado, 18 de abril de 2020

Os impactos do coronavírus no setor cultural

Por Raull Davyson*

É fato que a Pandemia Covid-19 está desestruturando a economia global e paralisando atividades econômicas no mundo todo. O setor cultural é um dos primeiros atingidos pelos ainda incalculáveis prejuízos que o período de reclusão da população vem causando, tendo em vista que espetáculos de teatro, dança, circo, performances, exposições, sessões de cinema, shows musicais,  são apenas alguns dos ofícios que representam atividades em que artistas dependem da presença do público para gerar sua fonte de renda.

Artistas do mundo inteiro estão utilizando os meios de comunicação online para publicizarem sua preocupação e solicitarem aos governantes medidas para amenizar os impactos do Coronavírus na economia criativa. Em Mossoró, a Cia. Pão Doce publicou uma nota em suas redes, confira abaixo o relato do grupo.

(Foto: cedida)

“Há 18 anos a Cia. Pão Doce se dedica a trabalhar para o fortalecimento e crescimento da arte mossoroense, sendo uma das principais responsáveis por difundir culturalmente o nome da cidade para todo o País. Depois de já ter circulado por quase 120 cidades entre 19 estados brasileiros, a Cia. Pão Doce, fica em casa, assim como muitos companheiros de arte que respeitosamente adotaram a medida preventiva contra o COVID-19.

Nos últimos tempos, enfrentamos cancelamentos de festivais, de mostras, extinção de editais, adiamento e cancelamento de datas previamente agendadas, além do atraso no pagamento dos Fomentos Municipal e Estadual. O assunto é sério. É muito sério. Estamos preocupados, assustados, ansiosos.

Temos dois espetáculos para montar, três circulações para iniciar, paralisamos a construção do nosso espaço cênico e de treinamento e o caixa do grupo está se esvaindo com funcionários para manter, diante de uma situação de incertezas. Não sabemos até quando a Pandemia irá durar. Vários estados já estão adotando medidas para reduzir tal baque ao setor cultural a partir do lançamento de editais para apresentações online, a CAERN (Companhia de Água e Esgotos do Rio Grande do Norte) já se posicionou em relação ao abatimento da taxa de água cobrada a famílias com inscrição social no Cadastro Único (entre outras e outras medidas).

Nos unimos a grande massa de artistas, produtores, grupos e coletivos que dependem de sua arte para viver e solicitamos aos governantes municipais e estaduais que se posicionem com urgência em relação aos agentes culturais Norte Riograndenses. É preciso agir!!!
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A vocês que nos acompanham, aos amigos e familiares, somos gratos por todo apoio. Continuaremos criando e produzindo #EmCasa.
Já estamos com saudades! Até já já!
#fiqueemcasa #teatrodegrupo

Apesar do grande aparecimento de lives, espetáculos e shows on-line como uma opção à crise da cultura, a alternativa não parece ser uma solução para a crise financeira.

Alguns governos estaduais e municipais apresentaram planos de contenção de danos. A Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo destinará 103 milhões de reais para diminuir prejuízos de artistas e oficializou que os prazos de contratações artísticas foram prolongados.

O governo do Maranhão lançou um edital para fomentar projetos de apresentações pela internet. O governo de Minas Gerais também anunciou medidas emergenciais para amenizar o impacto econômico da pandemia no setor cultural. Além de remediar os já enormes prejuízos do setor, é crucial que a indústria cultural volte a ser percebida como um motor econômico relevante do país, para além de sua função no bem-estar e na construção da nossa identidade.

*Raul Devyson é ator e faz parte da Cia Pão Doce de teatro

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