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terça-feira, 12 de maio de 2020

Dois meses de Covid-19 no RN: leitos estão raros

Em duas partes, veja diagnóstico, receita da saúde estadual, investimentos e deficiências de medidas do Governo do RN no combate à Covid-19 

Hoje faz dois meses da confirmação do primeiro caso da Covid-19 no Rio Grande do Norte. O registro foi no dia 12 de março em Natal. De lá para cá, os números chegaram a 2.033 confirmados e 93 mortes. 

Receita

De acordo com dados do Sistema de Gestão Fundiária do RN (Sigef/RN), com informações de 02 de maio, o Fundo Estadual de Saúde do Rio Grande do Norte dispõe de um orçamento de R$ 110,8 milhões.

Desses, R$ 58,2 milhões são de recursos federais transferidos pelo Ministério da Saúde, R$ 46 milhões são do Orçamento Estadual e R$ 6,6 milhões de doações efetuadas pelo Ministério Público do Trabalho, Tribunais Regionais Federais e Pessoas Físicas.

Despesa

Dos R$ 110,8 milhões de receita, já foram empenhados R$ 63,8 milhões, sendo:

- R$ 22 milhões com contrato de 20 leitos de UTI e 20 de enfermaria por 180 dias com a Liga Norte Rio Grandense;

- R$ 19 milhões com contratação de pessoal temporário da área da saúde;

- R$ 8,8 milhões com EPI;

- R$ 4,9 milhões com aquisição de Ventiladores Pulmonares;

- R$ 4,6 milhões com Locação de Leitos de UTI e Plantões médicos;

- R$ 4,5 milhões com material médico hospitalar, laboratorial e contratos de manutenção.

Segundo o Governo, ainda em fase de pesquisa e contratação mais R$ 31,8 milhões pré-empenhados com leitos de UTI, plantões médicos, dietas enterais, equipamentos de UTI e outros produtos de saúde.

Ocupação de leitos

Segundo os dados da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap-RN), existem 26 pacientes na fila de espera para leitos de Covid. Um paciente com prioridade 1 (leito de UTI), um paciente com prioridade 2 (semi-uti) e 24 pacientes com prioridade 3 (leito clínico).

há 100% de ocupação no Hospital Giselda Trigueiro, 90% no Hospital da Polícia e 100% no Hospital Municipal, todos em Natal. Ou seja, todos os leitos da rede pública disponíveis para pacientes de Covid-19, em Natal, estão lotados.

A alta taxa de ocupação de leitos também é preocupante no interior, embora tenha ocorrido uma leve diminuição nesta taxa nas últimas 24 horas. Em Mossoró, há apenas duas vagas em leitos críticos (UTI e semi-uti) no Hospital São Luiz. No Hospital Regional Tarcísio Maia há cinco vagas - dos 17 leitos disponíveis, 12 estão ocupados. Em Caicó, onde há 20 leitos críticos disponíveis, 12 estão ocupados. Em Pau dos Ferros, no Hospital Regional, há oito leitos vagos.

Vagas em leitos estão mais raras no RN
(Foto: Elisa Elsie)

Novos leitos

Para solucionar, o Governo faz mais promessa: para esta semana, a Sesap tem programado para deixar funcionando no Hospital da PM de Natal 15 leitos com respiradores e mais 12 leitos no Giselda Trigueiro (hoje são 25).

Para Mossoró, está prevista a abertura de 10 UTIs no Hospital Regional Tarcísio Maia e 5 no Hospital Rafael Fernandes, e entre 15 a 20 leitos no Hospital São Luiz. Também está prevista a abertura de 10 novos leitos em Caicó e mais 8 em Pau dos Ferros.

Além disso, há a garantia de que serão abertos leitos infantis: 7 leitos no Hospital Maria Alice Fernandes, na zona norte de Natal - a unidade já possui 3 leitos para estabilização; 3 leitos no Hospital Wilson Rosado em Mossoró e leitos em Caicó e Currais Novos, sem divulgação de números. Hoje não há nenhuma criança internada com a doença no RN.

O secretário adjunto de Saúde do RN, Petrônio Spinelli, garantiu que o Governo já tem disponíveis respiradores para estes leitos. Mas alerta que se o número de pacientes graves continuar crescendo, não haverá novos respiradores para mais leitos.

Amanhã, trarei análise dos números do RN e as falhas do RN no combate à Covid-19.

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