quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Azevedo levanta dúvidas sobre Allyson: “Bem provável que não seja candidato”

Deputado estadual aponta peso de investigações da PF sobre fraudes na saúde de Mossoró na disputa ao Governo

Azevedo sobre renúncia de Allyson: "Dizem que é melhor defendê-lo com mandato do que sem mandato" | Foto: ALRN

Por Carol Ribeiro | Diário do RN

Em conversa sobre o xadrez político que se desenha para 2026, o deputado estadual Coronel Azevedo (PL) levantou dúvidas centrais sobre a real disposição do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (UB), de deixar o cargo para disputar o Governo do Estado. Segundo o parlamentar, as articulações para um eventual cenário de eleições indiretas na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, caso a governadora Fátima Bezerra (PT) renuncie ao cargo para disputar o Senado, ganhariam novos contornos.

Para Azevedo, o quadro não é simples e envolve mais do que decisões partidárias. Ele destacou comentários recorrentes nos bastidores de que Allyson poderia enfrentar maiores dificuldades jurídicas fora do mandato, em meio às investigações que atingem sua gestão.

“Eu escuto muito que ele se defenderia melhor com o mandato. Sem mandato, a situação de Allyson ficaria mais difícil”, afirmou o deputado, ecoando avaliações que, segundo ele, circulam entre advogados e lideranças políticas.

As declarações remetem diretamente à Operação Mederi, deflagrada pela Polícia Federal, que apura suspeitas de fraude na compra de medicamentos e possíveis desvios de recursos públicos na área da saúde. Como já registrado em reportagens publicadas em janeiro e fevereiro, a operação colocou Mossoró no centro das investigações e trouxe desgaste político ao prefeito, com novos desdobramentos surgindo ao longo das apurações.

Nesse contexto, Coronel Azevedo questiona se Allyson assumiria o risco de renunciar ao mandato justamente quando, na avaliação de parte do meio jurídico, a condição de prefeito no exercício do mandato oferece mais instrumentos de defesa. Para o deputado, esse fator pode pesar decisivamente na definição sobre a candidatura ao Governo.

“Cada vez surge um fato novo. É uma situação muito difícil para ele. É bem provável que ele não seja candidato, porque os doutores do direito dizem que é melhor defendê-lo com o mandato do que sem mandato”, resumiu.

O parlamentar também avaliou os reflexos eleitorais do caso, apontando que as investigações da PF tendem a ter impacto na imagem pública do prefeito e podem contribuir para um cenário de polarização. Na leitura de Azevedo, esse ambiente pode “espremer” Allyson entre campos ideológicos mais definidos, abrindo espaço para que a disputa ao governo se concentre em outros nomes, como o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias e o secretário estadual Cadu Xavier.

Coronel Azevedo também falou sobre o possível apoio do presidente da Assembleia, Ezequiel Ferreira, ao grupo liderado pelo senador Rogério Marinho.

“É uma expectativa. Ele está conversando, tem uma forte tendência dele chegar no grupo de Rogério, mas ele não anunciou nada”

Ainda sobre os movimentos da oposição, o parlamentar destacou a expectativa de filiação do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias ao PL. Segundo Azevedo, há o desejo de que o ato de filiação ocorra em um evento de alcance nacional, possivelmente com a presença do senador Flávio Bolsonaro, que também é pré-candidato à presidência da República, como forma de marcar posição e dar largada oficial à reorganização do campo oposicionista no estado.

“É nosso desejo ter um evento de âmbito nacional no Rio Grande do Norte, e nesse evento a gente também definir quem é quem no Rio Grande do Norte, quem está com a gente, quem não está, começar a decidir, né? A gente tem a expectativa, Rogério vai trabalhar isso, vai tentar uma data em março, para ver se prioriza o Rio Grande do Norte na andança do Senador Flávio”

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