Governos devem ceder pressão da classe empresarial?

Os últimos decretos publicados pela Prefeitura de Mossoró e pelo Governo do Estado, que estipulam a continuidade das restrições às atividades não essenciais, perdem a validade nestas terça e quarta-feira, respectivamente.

A Prefeitura de Mossoró, apesar de prorrogar as atividades, já liberou as livrarias e papelarias. As ruas de Mossoró estão cada vez mais cheias de gente voltando à vida normal, saindo às ruas para serviços não-essenciais - e aqui não se fala do empresário ou trabalhador autônomo que insiste em desrespeitar as regras e ignora os decretos que proíbem a abertura dos seus pontos, mas principalmente do cliente, o cidadão que resolve sair de casa para se aglomerar no centro para serviços que poderiam esperar. O comércio só funciona porque existe esse cliente. Isso fortalece o discurso do empresário para a volta das atividades.

(imagem: autor não identificado) 

A classe empresarial já tem o forte argumento da crise que o novo vírus tem gerado. A força que tem junto aos poderes públicos é evidente, tanto é que as maiores cidades do Estado - Mossoró e Natal - e também o Governo do RN não enfrentaram os empresários, apesar da alta incidência do vírus, e não chegaram a fazer o lockdown. Em Natal, a ocupação dos leitos é de 100%, existe fila de espera para internação, e mesmo assim a Prefeitura resistiu.

E agora, os empresários aumentam a pressão. Afinal, já são três meses de baixa na economia, e nenhuma perspectiva de combate à Covid-19. Na semana passada, o presidente do Sistema Fiern, Amaro Sales, divulgou um artigo intitulado "Precisamos voltar".

Disse que o coronavírus fez um estrago na economia, tumultuou a política, desmascarou crimes, mudou relações sociais. Para ele, apesar de todos os esforços da ciência, a vacina, mesmo para os mais otimistas, não chegará ao mercado até o final de 2020, portanto, a solução definitiva não estará disponível nos próximos meses. "Assim, não há outra alternativa senão tentarmos conviver com o vírus até que tenhamos, de fato, a tão esperada vacina. Precisamos nos acostumar a novos hábitos de vida e um novo modelo de produção", afirmou.

Já o presidente do Sindivarejo em Mossoró, Michelson Frota, conversou com o deputado Allyson Bezerra através de uma live. Ele afirmou existir um estudo que aponta a perda de cerca de R$ 15 milhões diários na economia mossoroense.

Para Michelson, a dificuldade é real e vai mudar também o cenário pós-pandemia: “O que nos resta realmente é buscar fazer um planejamento diferente pós-pandemia porque muita coisa vai mudar e a gente tem que se adequar. E saliento que todo bom empreendedor, após uma crise seja ela qual for serve também como bastante estímulo e aprendizado”, disse.

Na última sexta-feira (19), o Governo do RN já publicou portaria com a primeira etapa da retomada das atividades econômicas que, segundo a gestão, terá data inicial a depender da ocupação dos leitos e taxa de retransmissibilidade da Covid-19. O Plano faz parte de sugestão apresentada pelos representantes da classe empresarial.

Ou seja, existe aí uma probabilidade muito grande de pelo menos as atividades do comércio começarem a voltar gradualmente a partir de julho, que começa na próxima semana.

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