Estratégia negacionista e "diplomacia" de Bolsonaro são obstáculos à vacinação em massa no Brasil

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Nenhum acontecimento deixou o grupo bolsonarista tão atordoado quanto o início da vacinação no Brasil realizada neste último domingo em cerimônia liderada pelo governador de São Paulo, João Dória (PSDB).

A estratégia de Bolsonaro no início da pandemia foi copiar o presidente Donald Trump no negacionismo. E usando as mesmas táticas de mobilização das pautas nas redes sociais que já vinham sendo usadas desde muito antes da eleição para presidente, subestimou a pandemia, atacou a imprensa e a China, ordenou aos militares a fabricação de remédios sem eficácia, provocou aglomerações diárias, fez campanha contra o uso de máscaras, e mais uma extensa lista de ações que favorecem a proliferação dos vírus.

A popularidade do presidente, fermentada pela maior distribuição de renda da história do Brasil, promovida pelo auxílio emergencial, deu a falsa impressão que a estratégia negacionista tinha vencido a disputa política. Mas as derrotas nas eleições municipais e as primeiras pesquisas após o fim do auxílio emergencial mostrando o aumento da impopularidade de Bolsonaro deram um choque de realidade no grupo.

Outro choque de realidade veio da política externa. Após uma agenda de alinhamento automático às pautas de Trump, veio a derrota do candidato à reeleição nos EUA e a ressaca com o isolamento internacional num momento de corrida pelos insumos da vacina contra o novo coronavírus.

Após atacar o BRICs - Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - para agradar o governo estadunidense, o governo bolsonarista assistiu ao início da imunização em todos os outros países que compõem o grupo, com suas próprias vacinas, menos no Brasil. E quando a vacinação se iniciou no país, foi com uma vacina desenvolvida na China.

Na segunda-feira, ao falar sobre o início da vacinação, Bolsonaro deixou nítido o quanto sentiu o golpe. Começou com um "apesar da vacina" enquanto os brasileiros comemoravam o imunizante. E terminou dizendo que a vacina "não é de nenhum governador". Bem diferente de quando atacava a Coronavac, taxando de "vacina chinesa de João Dória". Além disso, apagou várias postagens nas redes sociais em que recomendava remédios sem eficácia.

Agora, a peleja é pra convencer o governo chinês, tão atacado por Bolsonaro, seus filhos, ministros e seguidores, a liberar insumos da vacina para que o Brasil consiga prosseguir com seu plano de imunização.

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