As mudanças energéticas no RN e seus reflexos econômicos

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O trabalho destaca o impacto negativo da redução da indústria de óleo e gás natural e faz projeções positivas para as energias eólica e fotovoltaica

(Foto: Sindipetro/RN)

Com posição de destaque na economia do Rio Grande do Norte, o segmento da energia vive hoje um momento marcante da história do estado. De um lado, verifica-se um ciclo de expansão nos segmentos de energia eólica e fotovoltaica, o que deverá mais que dobrar a capacidade de geração de eletricidade a partir do vento e do sol nos próximos três ou quatro anos. E, de outro, a retração da produção de petróleo e gás natural, com a saída da Petrobras das atividades na área. Ou seja, há previsões positivas, mas também uma expectativa muito negativa, tendo em vista o papel que a estatal de petróleo exerce sobre a economia e a sociedade potiguar, em especial para o mercado de trabalho.

Este é o cenário apresentado no estudo “As mudanças no setor energético do Rio Grande do Norte e seus impactos econômicos e sobre os trabalhadores”, realizado pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) para a Central Única dos Trabalhadores (CUT). Entregue à entidade na última terça-feira (27), a pesquisa é o ponto de partida para a construção de um plano de ação sindical e de diálogos tripartites entre trabalhadores, empresários e governo do Rio Grande do Norte.

Desenvolvido pelos pesquisadores do Ineep Ana Carolina Chaves e Henrique Jäger, o trabalho destaca o impacto negativo da redução da atividade da indústria de óleo e gás natural, faz projeções positivas para o papel das energia eólica e fotovoltaica e aponta os desafios econômicos e para os trabalhadores com as mudanças na região.

Futuro

De acordo com o estudo, as oportunidades de investimentos em energia solar e eólica são crescentes, diante do alto grau de radiação solar e de velocidade de vento no estado. Revela que os parques eólicos que contribuem hoje com 4.156 MW na geração de energia local passarão a 7.296 MW em período de três a quatro anos. Já as usinas fotovoltaicas, que participam com 117 MW, chegarão aos 421 MW.

São dados significativos, considerando-se o papel que estas fontes exercem na matriz energética do Rio Grande do Norte: a energia eólica tem uma participação de 89%, enquanto a geração térmica contribui com 10% e a solar com 2%.

A expectativa, segundo o Ineep, é de que os investimentos em expansão da rede de energia fotovoltaica somem cerca de R$ 2 bilhões, nos próximos três anos, levando-se em conta os empreendimentos que vão produzir para as concessionárias de energia.

No entanto, segundo o estudo do Ineep, tanto na indústria de energia eólica quanto na fotovoltaica os empregos são gerados, na sua maioria, durante o período de construção e montagem das unidades, que funcionam com poucos trabalhadores. Acrescenta também o fato de o Rio Grande do Norte não contar com indústrias de fornecedores de máquinas e equipamentos utilizados nos parques eólicos e fotovoltaicos, o que poderá levar a compra destes produtos em outros estados ou países. 

Retração

Assim, ainda que tenha um lado positivo, o quadro que se apresenta para o futuro não é suficiente para minimizar os impactos negativos do processo de privatização dos ativos da Petrobras no Rio Grande do Norte onde a estatal já teve operações verticalizadas (vai das atividades de exploração e produção à distribuição nos postos).

A produção de petróleo, em bacias terrestres e marítimas, chegou próximo aos 30 milhões de barris, em 2000, e caiu para cerca de 15 milhões de barris, em 2019. Já a de gás natural, que esteve próxima a três milhões de barris em 2004 passou para 818,8 mil em 2019.

Ao final de 2020, a Petrobras ainda respondia por 67% da produção de petróleo no Rio Grande do Norte e por 41,6% de gás natural. As parcelas restantes são resultados de operações de empresas privadas para as quais a estatal vendeu os ativos em exploração e em produção. Segundo o estudo, um novo ciclo da indústria de óleo e gás natural ainda poderá ocorrer, mas vai depender do sucesso da exploração no litoral, tendo em vista o desgaste natural dos campos terrestres. E também estará condicionado às apostas das empresas que substituem a Petrobras, que por serem de menor porte têm capacidade de investimento inferior ao da estatal.

Fonte: Ineep | Sindipetro-RN.

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