segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Allyson perdeu: quando marketing e dinheiro não foram suficientes

Candidato apostou na força das redes sociais, no poder econômico e em alianças tradicionais. Mas terá subestimado a capacidade de julgamento do eleitor potiguar?

Foto: web/ autoria não identificada 

Allyson Bezerra (União Brasil) chegou à eleição para o Governo do Rio Grande do Norte com uma combinação que parecia difícil de derrotar: favoritismo nas pesquisas, uma estrutura robusta de campanha, domínio da comunicação digital e apoio de importantes lideranças políticas.

Ainda assim, perdeu. O resultado levanta uma questão que vai além da estratégia eleitoral: será que Allyson confundiu capacidade de comunicação com capacidade de convencimento?

O ex-prefeito de Mossoró construiu sua imagem como representante de uma nova geração política. Jovem, conectado às redes sociais e defensor da modernização administrativa, apresentou-se como alternativa à política tradicional. 

Na prática, entretanto, sua candidatura também se sustentou em alianças com nomes históricos da política potiguar, reproduzindo uma lógica de poder que seu discurso de renovação parecia querer superar. Esteve ao lado de José Agripino Maia, Robinson Faria, João Maia, Walter e Garibaldi Alves, nomes que outrora ele criticou, para citar alguns exemplos.

Talvez tenha sido essa uma das principais fragilidades da campanha: acreditar que uma linguagem moderna seria suficiente para apresentar como novidade uma articulação política essencialmente tradicional, subestimando especialmente o eleitor. 

Allyson demonstrou compreender a dinâmica das redes sociais, investiu na construção de uma imagem popular e apostou numa comunicação de forte apelo visual. Mas o desempenho eleitoral sugere que visibilidade, recursos financeiros e apoios políticos não se traduzem automaticamente em maioria. 

Saber falar com o eleitor não significa, necessariamente, compreender o que ele espera de um candidato.

Por falar em recursos financeiros, neste ponto ele apostou alto. Investiu R$ 6.766.870,08 na campanha, entre primeiro e segundo turno, de acordo com dados disponibilizados nos site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para conhecimento, o total de despesas registrada pelo oponente, Cadu de Lula, foi de R$ 3.334.960,71.

Outro componente foi a indefinição diante da disputa presidencial. Num segundo turno marcado pela polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, a tentativa de preservar uma posição independente pode ter limitado a capacidade de Allyson de estabelecer uma identidade política mais clara diante do eleitorado.

As contradições também apareceram nas propostas, embora esse não seja o ponto central da derrota frente aos eleitores, em minha análise.

Allyson prometeu grandes investimentos em infraestrutura, enquanto apresentava um diagnóstico de graves dificuldades financeiras do Estado. Ao mesmo tempo, defendia a necessidade de ajustes fiscais, mas criticava medidas de contenção de despesas atribuídas ao governo estadual.

Nada disso significa que os potiguares tenham rejeitado Allyson exclusivamente por essas razões. 

Sua votação expressiva demonstra que a candidatura manteve força e competitividade até o fim. Mas a derrota abre espaço para questionar os limites de uma estratégia que apostou fortemente na imagem, na estrutura financeira e na reunião de lideranças tradicionais.

Talvez o maior equívoco de Allyson tenha sido acreditar que poderia revestir a política tradicional de modernidade e apresentá-la como renovação. 

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