Petista conseguiu reverter o cenário eleitoral e construir uma vitória que parecia improvável diante da força inicial do adversário
A vitória de Cadu de Lula (PT) sobre Allyson Bezerra (União Brasil), neste 25 de outubro de 2026, representa uma das grandes reviravoltas da política potiguar. Eleito com 1.073.024 votos (50,77%), contra 1.040.399 (49,23%) do adversário, Cadu conquistou o Governo do Rio Grande do Norte por uma diferença de 32.625 votos.
Entre o primeiro e o segundo turno, o petista acrescentou 354.724 votos à sua votação, enquanto Allyson cresceu 306.590 votos.
Ou seja, Cadu conquistou 48.134 votos a mais que o adversário nesse intervalo, crescimento decisivo para a virada.
Durante boa parte da campanha, Allyson liderou as pesquisas, reuniu uma ampla aliança partidária e apresentou-se como favorito ao Governo do Rio Grande do Norte. Cadu, por sua vez, iniciou a disputa com baixo conhecimento popular, sem experiência em mandatos eletivos e enfrentando o desgaste da administração estadual petista.
O segundo turno, entretanto, abriu uma nova eleição. A disputa, antes dividida entre três candidaturas competitivas, passou a concentrar as forças políticas em dois projetos, criando condições para uma reorganização dos apoios e do comportamento do eleitorado.
Nesse cenário, a reeleição de Lula ofereceu a Cadu a oportunidade de fortalecer sua identidade política e ampliar a mobilização de um eleitorado que, no primeiro turno, não necessariamente havia escolhido o candidato do PT para governador.
Portanto, a nacionalização da campanha aparece como um dos fatores importantes para compreender a virada. Mas não explica tudo.A vitória de Cadu veio da combinação entre nacionalização, alianças e expansão territorial.
Ele soube se beneficiar da ampliação de apoios políticos e da reorganização de forças regionais, incluindo lideranças que não integravam originalmente seu campo eleitoral, como Ezequiel Ferreira, Fábio Dantas e Cristiane Dantas, do PSDB, além de lideranças em diferentes municípios. A movimentação ampliou a base política do petista justamente na fase decisiva da disputa.
Outro aspecto torna a vitória ainda mais significativa. Allyson conseguiu ampliar sua votação em colégios eleitorais importantes, especialmente na Grande Natal, onde havia espaço para conquistar parte do eleitorado de Álvaro Dias (PL), derrotado no primeiro turno.
Isso indica que a virada de Cadu exige observar a distribuição territorial do resultado e a capacidade do petista de construir vantagens suficientes para superar o adversário no conjunto do Estado.
Cadu venceu em 118 dos 167 municípios potiguares, enquanto Allyson conquistou 49. No primeiro turno, o petista havia liderado em 74 municípios. Além de ampliar sua presença territorial, conseguiu reverter o resultado em 31 cidades anteriormente vencidas por Allyson, evidenciando a expansão de sua força eleitoral, especialmente no interior.
Cadu conseguiu transformar uma candidatura inicialmente desacreditada em uma alternativa vitoriosa. E mostrou que, numa disputa polarizada, o peso das alianças, da identidade política e da mobilização eleitoral pode alterar profundamente um cenário que parecia consolidado.

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