segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Fátima Bezerra termina eleição como a grande vencedora no RN

Governadora conseguiu construir duas vitórias: elegeu Samanda ao Senado e levou Cadu de Lula ao segundo turno; e ainda viu Walter Alves ficar fora da Assembleia

Foto: assessoria

Fátima Bezerra (PT) não estava na urna neste domingo, mas terminou a eleição de 2026 como uma das grandes vencedoras do processo eleitoral no Rio Grande do Norte.

A governadora conseguiu entregar dois resultados que, meses atrás, pareciam difíceis: reelegeu sua candidata ao Senado, Samanda (PT), numa disputa apertada, voto a voto, contra Zenaide Maia (PSD), e levou Cadu de Lula (PT) ao segundo turno da eleição para o Governo do Estado.

A estratégia original do grupo de Fátima era outra. A governadora vinha se preparando para deixar o cargo e disputar uma vaga no Senado, enquanto Walter Alves (MDB), então vice-governador, seria o nome natural para assumir o Governo do Estado e disputar a reeleição.

O projeto desandou em janeiro, quando Walter rompeu com Fátima e decidiu apoiar a candidatura oposicionista de Allyson Bezerra (União). A movimentação alterou completamente o tabuleiro.

Sem uma maioria política que garantisse uma eleição indireta para permanecer no Governo, Fátima desistiu da renúncia e, com ela, do projeto de disputar o Senado. A decisão também deixava o PT diante de outro problema: sem o vice no comando do Estado, o grupo precisava construir praticamente do zero uma candidatura competitiva ao Governo.

Foi nesse cenário que surgiu Cadu de Lula.

Secretário da Fazenda, técnico, sem trajetória eleitoral e praticamente desconhecido de boa parte do eleitorado, Cadu assumiu uma missão que parecia maior do que seu tamanho político. E conseguiu chegar ao segundo turno.

Mais do que isso: durante boa parte da apuração, esteve à frente de Allyson Bezerra, que havia liderado praticamente todas as pesquisas ao longo da campanha.

No Senado, a disputa foi ainda mais simbólica.

Samanda enfrentou Zenaide Maia em uma das eleições mais apertadas da apuração. Zenaide vinha à frente nas pesquisas. Mesmo assim, Samanda conseguiu virar e terminar eleita para ocupar a segunda vaga na Câmara Alta.

Há ainda um terceiro elemento nessa conta.

Walter Alves rompeu com Fátima apostando em uma alternativa que, politicamente, parecia mais confortável. Ao lado do ex-prefeito de Mossoró, buscava retornar à Assembleia Legislativa e construir seu futuro político a partir de uma aliança com a oposição.

Não conseguiu.

Walter ficou fora da Assembleia.

É uma vitória tripla.

A governadora que parecia ter perdido o controle da sucessão conseguiu recuperar o protagonismo.

Não fez isso pela porta que havia planejado entrar.

Mas encontrou outra.

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