Empoderamento: instrumento de emancipação política e social

(Imagem: Blogueiras Negras)

Por Déborah Pereira da Silva* 

Empower, seu significado ao pé da letra remete ao uso do neologismo, com a tradução de “dar o poder”. Mas de onde vem e qual o tipo de poder? Pensemos pois, o poder a partir da ação coletiva.

Condução articulada de grupos e indivíduos por diversos estágios de autoafirmação, autovalorização, autoconhecimento e autorreconhecimento de si mesmo. Aqui em especifico, as mulheres negras.

Empoderamento é um processo gradual e não um fim em si mesmo. Se ignorarmos as dimensões políticas e ideológicas, retiramos o caráter de fermento social que estremece as estruturas de poder perpetuadoras de opressão as pessoas marginalizadas.

Com isto, neutralizaria o potencial revolucionário, através de uma visão homogênea de igualdade tratada pelo Estado, sem questionar e lançar os conflitos necessários para o reparo aos direitos que por ele foram sucumbidos.

Surgem então, ações governamentais de cunho caridoso, e não por questões de equidade, com o fim de criar barreiras ao processo de empoderamento. Para colidir tal estratégia, a aderência expressiva do afroempreendedorismo, conhecido como movimento Black Money, 

A circulação de capital e o consumo dentro da comunidade negra, fortalece a economia e reverte estrategicamente o significado de poder. As mulheres pretas não possuem meios de produção no sistema capitalista, e são as que mais sofrem com os desajustes sociais.

Mulheres negras movimentam cerca de R$ 704 bilhões por ano no Brasil, segundo levantamento feito pelo Instituto Locomotiva, especializado em pesquisa de mercado consumidor, a pedido da Folha de São Paulo. O valor, estimado a partir do cruzamento de dados de renda e consumo do grupo, representa cerca de 16% do consumo nacional.

Cientes de que o empoderamento é o esvaziamento de conceitos e ações, e também a reconstrução deles, associamos condutas de diálogo entre líderes comunitários como atos de participação social, visto que estes são eleitos por um grupo cuja as dificuldades lhe são comuns.

A vertente estética do feminino negro, que o termo tomou, também possui sua importância visto que o processo de auto identificação é um dos primeiros passos para o autorreconhecimento de suas origens e pleito de direitos e a intolerância as discriminações.

Portanto, o processo de empoderamento na prática passa por fases tais como; estudos de literaturas, participação comunitária, movimentação de consumo econômico interno, inserção da mulher preta na política, entre outros víeis e dimensões cujo o tema convida ao conhecimento.

*Déborah Pereira da Silva é graduada em Direito pela Universidade Potiguar, advogada e acadêmica em Psicologia pela Faculdade Católica Do Rio Grande do Norte. Atualmente é pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero, Relações Étnico-raciais, Aprendizagens e Saberes (NEGRAS).

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