Ser mulher... e policial!

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A mulher policial precisa provar seu valor o tempo todo. É como se presumissem sua incompetência e inabilidade

(Foto: divulgação)

Por Tais Aires*

Oito de março é um dia para refletir. Flores e chocolates sempre são bem-vindos, mas o que marca esta data é a luta das mulheres por respeito e igualdade. Por meio de inúmeras batalhas, muito já se alcançou. Até bem pouco tempo, as mulheres sequer tinham direito a voto, não é mesmo? Mas muito ainda precisa ser feito.

Infelizmente, nossa sociedade ainda atribui certas tarefas e funções para cada gênero. Isso começa desde a infância: maquiagem, bonecas e panelas para as meninas. Bola, super heróis e jogos de raciocínio para os meninos. “Não é assim que uma mocinha se comporta”, "isso é coisa de menino", entre tantas outras frases...

A atividade policial é uma dessas funções que muitos acreditam "ser coisa homem". No nosso estado, isso ainda fica bem mais visível. Segundo estudo recente do IBGE, apenas 5,3% do efetivo policial do RN (civis e militares) são ocupados por mulheres. O número de mulheres vem aumentando a cada concurso, mas ainda é muito pouco!

Na Polícia Civil, de aproximadamente 1350 policiais, o que já é um efetivo baixíssimo,  têm-se apenas 30 delegadas, 82 escrivãs e 176 agentes. Os reflexos disso são preocupantes. No Seridó, a Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (DEAM) é chefiada por um homem, assim como duas das quatro equipes do plantão de gênero que funcionam na Zona Norte da Capital. Não é à toa que a Lei Maria da Penha determina, em seu Art. 10-A, que "é direito da mulher em situação de violência doméstica e familiar o atendimento policial e pericial especializado, ininterrupto e prestado por servidores, preferencialmente do sexo feminino". O estabelecimento do vínculo de confiança e empatia é fundamental para uma investigação. E, para uma vítima mulher, isso é encontrado com mais facilidade numa semelhante.

A mulher policial precisa provar seu valor o tempo todo. É como se presumissem sua incompetência e inabilidade. Se é assim atualmente, imagina há cerca de 30 anos, quando as primeiras mulheres entraram na instituição! Elas merecem toda nossa deferência e respeito.

Mas provar o seu valor é outra coisa que as mulheres fazem muito bem.  Hoje a Polícia Civil é chefiada por uma mulher, temos delegadas titulares de várias especializadas e diretorias, agentes e escrivãs que demonstram competência em todos os lugares, inclusive naqueles com características mais voltadas à operacionalidade. As entidades de classe representativas das três categorias são presididas por mulheres. Tudo isso é motivo de muito orgulho e reforça a capacidade e competência das mulheres. Mesmo assim  ainda há um longo caminho pela frente.

Sigamos provando nosso valor, inspirando e encorajando outras mulheres e educando nossos filhos e filhas para o respeito e a igualdade, para que a cada 08 de março tenhamos mais conquistas a celebrar.

*Tais Aires é delegada de Polícia Civil e Presidente da Associação de Delegados de Polícia Civil do RN.

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