Celina Guimarães, além do primeiro voto, uma guerreira dentro do futebol

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Do Blog Larissa Maciel: Uma homenagem à uma grande mulher que marcou e viu o início do futebol mossoroense. 

(Imagem: web)

Nada mais justo do começar o mês de março lembrando o feito histórico da mossoroense Celina Guimarães. Em 2022, são 90 anos de celebração do primeiro voto feminino. Parece surreal que depois de tanto tempo, as dificuldades para nós, mulheres, ainda existem nas entranhas da democracia, das profissões, do ser mulher. 

Bom, mas o que isso tem a ver com o esporte? Celina, além de um marco para a história da democracia brasileira, também é uma mulher marcada na história do nosso futebol. O pioneirismo da nossa mossoroense no ato de votar surgiu depois de dez anos sendo protagonista também dentro das quatro linhas, quando era árbitra de futebol em um universo dominado por homens.

Aproveito aqui o recorte da matéria publicada por Ramon Ribeiro, na Tribuna do Norte: 

“Se em 1917 em Natal Café Filho fundava uma equipe de futebol formada só por mulheres, o Centro Esportivo Natalense – onde uma das jogadoras, Jandira Fernandes, veio a se tornar esposa e primeira dama do até hoje único presidente da República de origem potiguar –, em Mossoró o futebol começa a ser praticado pela população – notadamente masculina. A onda pega e em pouco tempo cria-se por lá a  Liga Desportiva Mossoroense, para organizar disputas entre bairros.”

Quando o futebol surgia em Mossoró, surgia também a atuação da professora Celina Guimarães Viana como árbitra. Acredito piamente que também foi a primeira mulher a arbitrar neste país, quiçá no cenário mundial. É uma lástima que poucos livros tragam esse momento importante de sua história como uma figura que superava todas barreiras impostas a uma mulher. Um dos poucos que trazem informações quanto à Celina é o livro “O Futebol da Gente”, do ano de 1982, onde se apontava que Celina, há um século atrás, apitava os jogos em praças, correndo vestida com uma saia. 

O ato de ensinar estava verdadeiramente no seu sangue. Sua presença no futebol se dava justamente a pedido dos seus alunos, que tentavam entender as palavras em inglês sobre cada lance da época. Em sala de aula, traduzia os termos, ensinava a molecada a jogar e ajudava o nosso esporte a crescer. 

Aproveitando o tema arbitragem, tento pensar o que Celina sentiria ao ver que apenas em 2020, dentro do seu estado, foi possível contar com uma arbitragem inteiramente feminina em um jogo masculino. Essa partida foi Assu x Potiguar, no estádio Edgarzão. Eu estava lá, sozinha como a única mulher repórter na beira do campo para ver de perto o feito histórico. 

A árbitra Mariana Regina de Paiva apitou o 0x0 ao lado das assistentes Edilene Freire da Silva e Luciana da Silva e escreveram seus nomes numa história que insiste em ser tardia com nós, mulheres, e muitas vezes injusta. 

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