Disputa acirrada e embates no Judiciário colocam a opinião pública e os eleitores indecisos no centro do jogo político
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| Foto: Antônio Augusto/STF |
As próximas três semanas serão decisivas para o futuro do Brasil, e o rumo das eleições presidenciais pode ser definido pelas ações da Polícia Federal (PF) e com influência da crise no STF.
Com o país dividido, qualquer operação policial ou revelação de investigação contra políticos tem o poder de virar o jogo. Como existem tanto aliados do governo quanto nomes da oposição em inquéritos atualmente trabalhados pela PF, as decisões ditam o que vira notícia e o que as campanhas usam para atacar os adversários. Em uma disputa tão apertada, a polícia acabou se tornando uma das peças mais importantes desta reta final.
Para entender como a situação é sensível, basta olhar para o resultado das pesquisas de intenção de votos mais recentes. Elas mostram que os eleitores estão divididos quase metade a metade, e nenhum candidato conseguiu disparar na frente:
A Pesquisa Quaest, de 7 de setembro, mostrou o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 36% das intenções de voto no primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro com 29%. Em um segundo turno entre eles, o resultado da pesquisa aponta um empate numérico em 41% (BR-01720/2026).
A Pesquisa BTG/Nexus, de 8 de setembro, confirmou esse cenário equilibrado. Em uma simulação de segundo turno, o candidato da oposição aparece um pouco à frente com 46% contra 45% do incumbente; o que os cientistas políticos chamam de empate técnico, já que a diferença está dentro da margem de erro da pesquisa (BR-06790/2026).
A Pesquisa AtlasIntel, de 10 de setembro, indicou uma vantagem um pouco maior para o chefe do executivo no primeiro turno, com o presidente liderando por 5,6 pontos de vantagem ao alcançar 43% dos votos. Mesmo assim, o instituto reforça que, no segundo turno, há um empate técnico generalizado contra qualquer candidato da oposição (BR-01452/2026).
O que todos esses números deixam claro é que a eleição será decidida nos detalhes. Como as pesquisas indicam que ainda existem 10% de eleitores indecisos e 8% que pretendem votar em branco ou nulo, a decisão desse grupo vai definir o próximo presidente.
Se a PF lançar uma nova operação que prejudique a imagem de um dos lados, esse pequeno grupo de eleitores que ainda não sabe em quem votar pode mudar de ideia rapidamente. No fim das contas, quem vai decidir a eleição não são os eleitores que já tomou partido, mas sim o impacto que as notícias de polícia terão na cabeça de quem ainda está em dúvida.
STF
A crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e os debates públicos sobre decisões das duas linhas de pensamento em que se dividiu a Corte também são fundamentais na repercussão da opinião pública e do eleitorado.
O atual cenário institucional fornece elementos para que diferentes correntes políticas reforcem seus argumentos perante o eleitorado. Candidatos da oposição utilizam o desgaste da Corte para criticar a condução das instituições, enquanto os aliados do governo buscam enfatizar a legalidade e a normalidade democrática, embora estejam sendo empurrados a concordar com uma reforma institucional, o que pode influenciar a opinião do eleitorado.
Enquanto Lula, ocupando a Presidência da República, se mantém distante dos embates internos e públicos do tribunal para tentar concentrar a atenção da opinião pública na campanha eleitoral, Flávio Bolsonaro tem apostado no acirramento da disputa de poder dentro da corte, santificando André Mendonça ao mesmo tempo em que avança na demonização de Alexandre de Moraes.
Os dois ministros, que estão no centro do embate de forças que tomou conta do STF desde a semana passada, também ganharam protagonismo nos discursos de campanha do senador carioca, com o ministro indicado ao tribunal por Bolsonaro ganhando até representação em boneco inflável e o magistrado indicado por Temer sendo associado a Lula nos discursos de Flávio: "quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes".
A menos de um mês do primeiro turno, as eleições correm o risco de ter como atores principais os membros do STF ao invés dos próprios candidatos, e o foco do debate eleitoral a nível nacional ficar restrito a denúncias trocadas entre os magistrados.

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