Sindsaúde emite tréplica contra uso da cloroquina | Blog Carol Ribeiro Sindsaúde emite tréplica contra uso da cloroquina | Blog Carol Ribeiro

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Sindsaúde emite tréplica contra uso da cloroquina

O Sindicato dos Servidores da Saúde (Sindsaúde), regional Mossoró, entrou com uma ação popular, na última quinta-feira (15),  solicitando a decretação de lockdown por um período de pelo menos 15 dias. Em resposta, o Sindicato dos Médicos (Sinmed) emitiu nota e pediu para ser ouvido na ação judicial impetrada pelo Sindsaúde. A entidade se mostra contrária ao lockdown e a favor do tratamento precoce com a hidroxicloroquina e do isolamento vertical.
O Sindcato dos servidores emitiu, neste fim de semana, uma tréplica sobre a questão da cloroquina. Leia:

Contrariando o mundo inteiro, o uso generalizado da Cloroquina é apenas estimulado no Brasil. Sem amparo científico nem eficácia comprovada, defender o uso da cloroquina como cura para o Coronavírus é apenas atestar a profissão de fé no bolsonarismo.  Lockdown é a única medida efetivamente comprovada para combater a aceleração descontrolada do vírus.

Em resposta à ação civil pública impetrada pelo Sindsaúde-RN defendendo o lockdown no Rio Grande do Norte, o Sindicato dos Médicos do RN, bem como todas as associações comerciais e industriais do estado emitiram nota defendendo o uso precoce de cloroquina em pacientes infectados pelo Covid-19, em detrimento do Lockdown defendido por profissionais da saúde e por parte da população preocupada com o avanço da pandemia.

(Imagem: reprodução/ Sindsaúde)

É bem nítida a defesa dos interesses do lucro acima das vidas quando associações comerciais e industriais atacam a necessidade de um Lockdown no Rio Grande do Norte. Todavia, muito nos espanta que o Sindicato dos Médicos do RN tenha emitido nota, engrossando o coro daqueles que defendem a cloroquina como a cura para o Coronavírus.
Muito nos espanta porque os médicos, com a formação e o conhecimento suficientes para analisar os estudos realizados no mundo inteiro atestando a ineficácia (e até efeitos colaterais graves) desse medicamento, prefiram professar a fé em uma cura miraculosa, rigorosamente desacreditada em estudos científicos controlados em diversas partes do mundo. Vale relembrar que vidas de profissionais da medicina já foram perdidas no Rio Grande do Norte em decorrência do Covid-19.

Periódicos médicos de alta credibilidade, tais como o New England Journal of Medicine (NEJM), o Journal of the American Medical Association (Jama) e o British Medical Journal (BMJ) - publicaram estudos em que demonstram que o uso da cloroquina nada tem de promissor. São trabalhos que foram submetidos aos pares (peer-review), o que atesta seu nível de rigor científico. Qing Xie, da Escola de Medicina de Shanghai e coautor do estudo publicado no British Medical Journal, publicado no dia 14, afirma que a droga não é capaz de conter o vírus nem mesmo com 28 dias de tratamento. Por outro lado, foram observados reações adversas e efeitos colaterais de média e alta gravidade em cerca de 30% dos pacientes - tais como diarreia, aumento da pressão arterial e taquicardia.

O estudo publicado no New England Journal of Medicine no dia 7 trouxe resultados ainda mais desoladores. Foram avaliados 1.376 pacientes ao longo de 22 dias - 811 receberam hidroxicloroquina. Entre os pacientes tratados com cloroquina, cerca de 32,3% acabaram precisaram de ventilação mecânica ou morreram, em comparação com 14,9% dos pacientes que não receberam o medicamento. 

Nem mesmo Trump - a inspiração e referência epidemiológica de Bolsonaro - segue defendendo o uso da Cloroquina, pois mudou de ideia. A droga não é administrada de forma generalizada nem mesmo nos Estados Unidos da América. A profissão de fé na cloroquina, neste momento, tornou-se crendice genuinamente brasileira. Em resposta a esta nota inconsequente, que pode colocar vida de pacientes internados em risco ainda maior de morte, só nos resta afirmar que certamente o bolsonarismo não pode ser a cura para o coronavírus.

Nenhum comentário



POLÍTICA

ECONOMIA

CAROL RIBEIRO RECOMENDA