terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Bate-boca, acusações e ameaças: assim foi a sessão da Câmara de Mossoró hoje

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Dia de plenário e galerias cheios na CMM
Isolado. Assim se vê Jório Nogueira (PSD) na reta final de seu mandato e de sua gestão como presidente da Casa. A sessão de hoje mostrou que, se os 14 vereadores que votaram pela eleição de Jório como presidente da Casa naquele 30 de outubro de 2014 pudessem voltar no tempo, votariam diferente.

Num desgaste que vem se agravando desde abril, quando a verba de gabinete foi suspensa, o estopim se deu hoje, durante a sessão ordinária que deveria tratar de temas de interesse da cidade e também polêmicos, como a criação da Agência Reguladora dos Serviços Públicos (veja aqui) e a permuta de terreno entre a Prefeitura e a FACENE (veja aqui).

Mais de quatro horas de bate-boca se passaram e nada foi resolvido: nem a ordem do dia, e muito menos o centro do debate, as exonerações dos 143 assessores dos vereadores (veja aqui).

Além de muito bate-boca, também muita baixaria, escrachamento da vida pessoal de muitos vereadores, denúncias e ameaças entre os parlamentares mossoroenses.

De um lado o presidente e o procurador da CMM, Kennedy Salvador. De outro, os demais quase 20 vereadores, especialmente Ricardo de Dodoca (PROS), Genivan Vale (PDT), Izabel Montenegro (PMDB), Lahyre Rosado Neto (PSB), Tassyo Mardonny (PSDB) e Soldado Jadson (SD), além de representantes dos assessores exonerados.

A ex-assessora Raíssa Gabrielly utilizou o espaço da Tribuna Popular para protestar contra a demissão:

"Acompanhem o raciocínio: Jório Nogueira alega que recebeu a presidência da Câmara Municipal de Mossoró com um déficit de 770 mil reais. Ao longo desta gestão, a Casa recuperou 800 mil reais de crédito junto ao INSS e ainda economizou cerca de 2 milhões e 300 mil reais que constavam no orçamento da Casa para pagamento da verba indenizatória e despesas com comunicação que não foram efetuadas. Contudo, mesmo economizando mais de 3 milhões de reais, a Câmara ainda precisou exonerar 143 trabalhadores para poder equilibrar o orçamento em mais de um milhão de reais. Entenderam? Nós também não." 

O vereador Lahyre Neto preparou uma resma de documentos para levar à Justiça.

Já Tomaz Neto (PDT), diante das mútuas acusações, propôs a criação de uma Comissão Especial de Investigação (CEI) para averiguar as condutas de cada um dos parlamentares municipais ao longo dos últimos anos. 

O vereador Francisco Carlos (PP) não quis se pronunciar. Acusado por Jório de ser o responsável pelo déficit na Câmara, como seu antecessor, entrou e saiu da sessão calado.

Obstrução

O resultado de tanta discussão foi nenhum. Em meio à tensão tarde adentro, a ordem do dia foi novamente obstruída pelos vereadores que afirmaram não concordar com a forma que os projetos estavam sendo apresentados: "a toque de caixa".

Os parlamentares aproveitaram para evitar a votação dos projetos "bomba" do Executivo e garantem que só voltam ao plenário após a exoneração do procurador, ocupante de cargo comissionado da confiança de Jório, Kennedy Salvador, que qualificou os vereadores mossoroenses de "corja" e os acusou, através de postagem em rede social, de utilizarem os assessores como "laranjas" em práticas ilegais de crédito consignado.